sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Minha menina



Preocupado com o tempo ele subiu novamente para o quarto
para buscar um casaco, colocou-o sobre o ombro e a pensar
retornou a sala, onde tudo começara.
Um amor sem limites, desses de pulsar e vibrar, onde loucuras
foram realizadas, uma vida de desatinos, seus olhos espelhava
felicidade, sua voz saia como uma melodia suave aos ouvidos,
era o percurso natural da vida, se entregar de corpo e alma,
amar até a última gota e não perder um sorriso,
um abraço e se inebriar em beijos.
Voltando a realidade, pegou sua mala e foi em direção ao seu
carro, o mesmo de tanto anos atrás, onde dias lindos passou
com sua amada, dias de primavera, onde a leveza do sol embalava
o seu amor, não era possível viver naquele lugar, onde o tempo
com sua mão arrasadora se incumbiu de voar e levar sua amada
onde ele não poderia estar, viver seria mudar o enredo da vida,
reformular a história.
Ligou o carro em meio a lágrimas e seguiu em direção ao futuro,
na intenção de encontrar um alívio pra sua dor,
sua mente já era consumida por seus pensamentos,
perdê-la no auge do seu amor não era justo e nem perdoável,
pra ele ela era uma menina totalmente indefesa, alvo de uma
crueldade da vida. Estacionou seu velho carro e conferiu no papel
o endereço, estava certo, com muita tristeza ele desceu do carro e a
passos lentos quase parando ele se foi para o asilo, Lar dos solitários,
um lugar para idosos com mais de 65 anos, subiu as escadas e deixou
para trás sua menina que iria completar seus 70 anos,
e levou somente o desejo de aprender a sobreviver ...




12 comentários:

Cackau Loureiro disse...

Levou consigo o desejo de seguir também, a vida já o ensinou que sempre há algo mais onde vamos e estamos, é só saber viver onde quer que estejamos.

Alma Nova disse...

Ele seguiu o seu rumo e deixou para trás uma parte de si, o amor da sua vida. Mas é imperioso continuar, não se deixar vencer e prosseguir, reaprendendo a viver.

Carol Barcellos disse...

Nanda, deu um nó na minha garganta. Ando sensível ultimamente, e ler essas coisas me faz chorar... Mas não é mesmo esse o objetivo da boa leitura: mexer com nossas emoções?

Teu blog cada vez mais lindo e cheio de sentimentos!!!

Beijos doces cristalizados!!! :o*

Uma vencedora disse...

Amiga...

Eu também estou muito sensivel, então fiquei eu a meditar sobre o que li...

Quantas vezes eu me pergunto onde andas uma parte de mim que deixei partir sem mesmo querer tentar lutar???

Ah... Esquece!!!

Bjs

Janaína

Marco Ferreira disse...

Bom fim de semana.

marinheiroaguadoce a navegar

Palavras de um mundo incerto disse...

Bah, guria, um dia espero poder viver isso. Amar minha menina numa idade assim. Espero que eu e ela estejamos numa casa nossa, e que estejamos lá bem felizes e um ajudando o outro e dando amor a ambos.

Beijos querida!


Marcos Ster

Ps:Guria, muito obrigado pela tua sinCERIDADE. ADOREI QUERIDA! LEIA CHE. TENHO MAIS ALGUNS LIVROS PARA LER DO CHE, VOU PEGÁ-LOS E DEPOIS INDICO PRA GALERA.

A leitura,enche minha solidão.
A leitura,me deixa em paz comigo.

Beijos pra ti!

Enterufter disse...

E quemm disse que o amor tem idade? Vamos ser sempre garotos e meninas toda vez que o sentirmos dentro de nós.

Beijo Dália!

Jacinta disse...

Ei menina,
que conto bonito, triste, mas bonito.
E me remete a pensar, na situação de vida, dos homens e mulheres que ultrapassam a casa dos 60 anos.
E o amor, ah! o amor. Esse sentimento que nos contagia em qualquer tempo. E, antes que envelheça, estou esperando o meu chegar de novo.

Um abraço

RedLightSpecial disse...

Triste... mas belo.
Intensamente real.
Fizeste-nos sentir TUDO!
Bjinhos e obrigada por isso...

P@ty disse...

"subiu as escadas e deixou
para trás sua menina que iria completar seus 70 anos,
e levou somente o desejo de aprender a sobreviver"

Triste, e ao mesmo tempo lindo

LUA DE LOBOS disse...

texto lindissimo que me pos de lágrima no olho...

aparece no meu covil de Loba Alpha e aceita o desafio que te faço:)
xi
maria

Oliver Pickwick disse...

A palavra assusta, mas um asilo pode ser um excelente lugar para velhos. Primeiro, se por acaso tiver filhos, vai livrar-lhes desta carga que é cuidar de um idoso. Segundo, conhece-se outras pessoas, possibilitando fazer novas amizades. Por mais incrível que pareça, é um novo começo de uma etapa de vida. Recomeçar é sempre saudável.
Beijos!